O ar na sala parecia denso, quase palpável.
Eles sentaram-se lado a lado, mas a distância entre os dois era um abismo silencioso. Evitavam o contato visual. O desgaste e a rigidez acumulados há meses — talvez anos — repousavam entre eles como um hóspede indesejado. O desejo não era apenas ausente; parecia soterrado.
Rompi o silêncio: “O que traz vocês até aqui hoje?”
Ela começou a falar, a voz carregada de cautela. Ele permaneceu de braços cruzados, olhar esquivo… até que ela tocou em um ponto sensível. Em segundos, a voltagem na sala subiu. Um atrito verbal rápido e tenso disparou entre os dois. Ao final da troca de farpas, ambos me olharam, esperando uma postura defensiva ou um julgamento.
Sustentei o olhar com serenidade e sorri: “Excelente. A nossa sessão começou agora — e é exatamente a partir dessa verdade que vamos transformar a vida de vocês.”
A terapia sexual tradicional atua muito no campo das ideias: análises, diálogos intermináveis e tarefas de casa baseadas em mudanças de comportamento.
Mas a minha abordagem vai além do que cada um fala e os ouvidos escutam. Vamos para a prática.


